11.11.2009
Na Terra do Fogo
(Tiago Moreira)
No deserto dos dragões
Não há lugar para libélulas
E nem para os camaleões
Que transmutam de feição
Um dragão é sempre dragão
Se alimenta de mandrágora
E cospe palavras de fogo
Sobrevoa o mundo, livre
Sem medo dos mil perigos
Coloca-se sempre à prova
Para provar o que acredita
Busca o querer verdadeiro
Como o rio corre para o mar
E a planta procura a luz
Um dragão nunca dorme
Nem se cansa da labuta
Por mais adversa que seja
E escreve seu destino só
Sem determinação do céu
Pois todo dragão é um ateu
Até diante da Dona Morte
Não acredita na sorte
Mas em suas escolhas
Sejam tortas ou certas
É o que se tem de fato
Pra tentar ser feliz enfim
Ninguém decide por nós
Os nós que temos de desatar
E mesmo que se arrependa
Um dragão também volta atrás
(Tiago Moreira)
No deserto dos dragões
Não há lugar para libélulas
E nem para os camaleões
Que transmutam de feição
Um dragão é sempre dragão
Se alimenta de mandrágora
E cospe palavras de fogo
Sobrevoa o mundo, livre
Sem medo dos mil perigos
Coloca-se sempre à prova
Para provar o que acredita
Busca o querer verdadeiro
Como o rio corre para o mar
E a planta procura a luz
Um dragão nunca dorme
Nem se cansa da labuta
Por mais adversa que seja
E escreve seu destino só
Sem determinação do céu
Pois todo dragão é um ateu
Até diante da Dona Morte
Não acredita na sorte
Mas em suas escolhas
Sejam tortas ou certas
É o que se tem de fato
Pra tentar ser feliz enfim
Ninguém decide por nós
Os nós que temos de desatar
E mesmo que se arrependa
Um dragão também volta atrás
Petr Flynt
Peter é um artista que trabalha com fotografia figurativa e fotomontagem, valorizando o sonho, as fantasias reprimidas, e sobretudo a sensualidade entremeada de aspectos grotescos e subversivos do sexo, ao menos para o pretenso onipresente pensamento cristão.
11.06.2009
Virado Na Gota Serena
(Tiago Moreira)
Do céu desceu uma gota
Única e assim solitária
Que me caiu na testa
E a absorvi pelos poros
Era de éter e era pura
Embaralhou os sentidos
Senti que com ela voaria
Pelo país das maravilhas
Beberia água da lua nova
Pra perder a gravidade
Faria ninho na montanha
E viraríamos eremitas
Eu e a gota bailarina
Que levitava sozinha
Tinha cor de pérola
Gosto de champanhe
E cheiro de alfazema
Fazia cócegas no juízo
Aquela tal gota insana
Mas não pude retê-la
Pois era gota fugidia
E eu pobre andarilho
Com a rosa-dos-ventos
Tatuada no meu peito
Perdido sem direção
Sem saber ler estrelas
Nem crer em oráculos
Minha oração é profana
Proferida em mesa de bar
Toda noite à zero hora
Antes do dia chegar
Por isso escrevo sempre
Pra não esquecer quem sou

Elene Usdin
Elene é uma fotógrafa francesa, que iniciou sua produção artística como ilustradora, e desde 2002 vem se dedicando à fotografia, e com muita habilidade, diga-se de passagem. Suas imagens figurativas são como um teatro fantástico oriundo de sua própria imaginação.
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